Donald Trump anuncia ataques aéreos na Síria

Ataque é resposta ao suposto uso de armas químicas pelo regime sírio contra população

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Trump anuncia ataque em andamento na Síria (Foto: AP Photo/Susan Walsh)

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou na noite desta sexta-feira que ordenou ataques aéreos na Síria. A ação americana, aliada a França e Reino Unido, é uma resposta ao suposto uso de armas químicas pelo regime do ditador sírio, Bashar al-Assad, que deixou dezenas mortos e centenas de feridos no país. Segundo veículos da imprensa estrangeira, como os jornais americanos Washington Post e The Wall Street Journal, o francês Le Monde e as redes de TV BBC e CBS, os bombardeios já foram iniciados.

“Há pouco tempo ordenei que as forças armadas dos Estados Unidos lancem ataques precisos a alvos associados à capacidade de armamento químico do ditador sírio, Bashar al-Assad. A operação, combinada com as forças armadas de França e Reino Unido, está em curso no momento”, anunciou Trump.

“Estamos preparados para manter essa resposta até que o regime sírio pare com o uso de reagente químicos proibidos. Também tenho uma mensagem aos dois governos que apoiam a Síria, Irã e Russia: que tipo de nação quer estar associada a um governo que mata mulheres, crianças e homens de fora massiva?”, afirmou Trump, que ainda classificou Assad como “ditador brutal e assassino”.

O presidente americano afirmou que o ataque químico sírio é resultado do “fracasso” da promessa do presidente russo, Vladimir Putin, de que acabaria com as armas químicas do regime de Bashar al-Assad. “Putin prometeu que ia acabar com as armas químicas da Síria. Os ataques são reflexo do fracasso da Rússia em cumprir essa promessa”, declarou o republicano em seu pronunciamento.

Na quarta-feira (11), Trump comentou que a Rússia tinha dito que derrubaria quaisquer mísseis disparados na Síria. “Fique preparada, Rússia, porque eles virão, belos e novos e ‘inteligentes’!”, afirmou. A declaração do líder americano gerou uma resposta da porta-voz do Ministério de Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, segundo a qual “mísseis inteligentes deveriam voar na direção de terroristas, e não na direção do governo legítimo, que tem combatido o terrorismo internacional em seu território por diversos anos”.

Na quinta-feira (12), Donald Trump havia recuado sobre a posição. Por meio de sua conta no Twitter, o republicano publicou que “nunca disse quando um ataque à Síria ocorreria. Pode ser muito em breve ou não tão breve assim! Em todo caso, os Estados Unidos, sob minha administração, fizeram um grande trabalho de livrar a região de ISIS (sigla do Estado Islâmico). Onde está o nosso ‘Obrigado América?’”, ironizou.

Explosões em Damasco

A TV Síria divulgou que ataques aéreos estão atingindo a capital Damasco e áreas ao redor. A agência Reuters e testemunhas afirmam que diversas grandes explosões foram ouvidas em Damasco, e colunas de fumaça foram vistas na região durante o pronuciamento de Trump.

“Esta noite, peço a todos os americanos que façam uma prece por nossos nobres guerreiros e nossos aliados enquanto eles cumprem suas missões. Rezamos para que Deus leve conforto aqueles que estão sofrendo na Síria”, disse Trump.

Escalada de tensão

Os EUA, a França e o Reino Unido acusam o regime sírio de ser responsável pelo ataque do último dia 7. A Síria e a Rússia, sua aliada na guerra, negam que tenham usado armas químicas.

O embaixador russo nas Nações Unidas, Vassily Nebenzia, disse nesta quinta que não descarta uma guerra. O presidente russo, Vladimir Putin, alertou seu colega francês, Emmanuel Macron, contra qualquer “ato imprudente e perigoso” na Síria, que poderia ter “consequências imprevistas”.

A Síria advertiu a ONU que não teria “outra escolha” senão se defender caso fosse atacada.

Gás químico em Duma

O ataque em que um gás tóxico teria sido utilizado aconteceu no sábado e deixou dezenas de mortos e feridos. A acusação do suposto ataque químico contra o governo partiu do grupo rebelde sírio Jaish al-Islam. Eles acusam o regime de Assad de lançar um barril-bomba com substâncias químicas venenosas contra civis.

Duma fica na região de Guta Oriental, onde desde fevereiro o governo sírio promove uma ofensiva para retomar o controle das mãos dos rebeldes. A cidade, que é a maior dessa região, é um dos últimos redutos dos combatentes que lutam contra Assad.

Primeiro ataque dos EUA

O primeiro – e único até então – ataque direto dos EUA na Síria tinha acontecido há um ano, em 6 de abril de 2017, e também foi uma reação a um ataque químico atribuído ao regime de Bashar Al-Assad, que havia deixado 86 mortos dois dias antes.

Naquela ocasião, forças americanas lançaram 59 mísseis Tomahawk contra a base aérea de Al Shayrat, perto de Homs, por volta das 21h40 (hora de Brasília), 4h40 na hora local da Síria. Os mísseis foram lançados de dois porta-aviões e tiveram como alvos “aeronaves, abrigos de aviões, áreas de armazenamento de combustível, logística e munição, sistema de defesa aérea e radares”.

Na noite do ataque, o presidente americano recebia em um jantar na Flórida o presidente da China, Xi Jinping, que foi comunicado sobre a ação antes que ela fosse iniciada. Menos de três horas depois do lançamento, o Pentágono divulgou vídeos do lançamento dos mísseis.

Ainda segundo o Pentágono, aproximadamente 20% do poderio aéreo das forças sírias foi destruído no ataque de abril de 2017, mas o governo local afirmou que a base já estava operando novamente dois dias depois.

(Veja e G1)



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