Aumento de crimes no PI gera sensação de insegurança e impunidade na população

Por: Kléber Oliveira
Publicado em 18/08/2014 às 14h50
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Os índices de criminalidade aumentam em todo o Brasil. No Piauí, os dados do 7º Anuário de Segurança Pública, publicado em 2013, que traz os dados comparativos entre os crimes cometidos em 2011 e 2012, mostram um crescimento considerável no número de latrocínios e homicídios dolosos, aqueles com a intenção de matar.

Em 2011, somente no Estado do Piauí, foram 341 homicídios dolosos e em 2012 foram 479, o que representa um aumento de 39,6% em relação ao ano anterior. Em número de latrocínios, em 2011 foram registrados 4 e em 2012, contabilizados 20, o que corresponde a um aumento astronômico de 396,8%.

Referente a quantidade de roubos, foi de 7.449 em 2011 e de 10.785 em 2012, um aumento relativo de 31% entre os dois anos.

Crimes violentos letais ocorridos no Piauí em 2008 foram 309, correspondente a 9,9 mortes por cada 100 mil habitantes e em 2009 foram 276, correspondendo a 8,8 mortes/100 mil habitantes. Em 2010, contabilizados 242, considerando 7 mortes/100 mil habitantes. Já em 2011 foi de 349, com 11,1 mortes/100 mil habitantes e em 2012, de 517, o que corresponde a 16,4 mortes/100 mil habitantes. Embora tenham oscilado entre os anos, no ano de 2012, estes crimes tiveram um grande aumento se comparado com os anos anteriores, comprovando, incontestavelmente mais uma vez o aumento da criminalidade e da violência.

A edição do Anuário afirma que as estatísticas fazem com que a insegurança cresça entre os indivíduos. Um trecho do documento diz: “A sensação de que vivemos em uma sociedade fraturada e com medo; aflita diante da possibilidade cotidiana de ser vítima e refém do crime e da violência. Não bastasse isso, os dados também indicam que o nosso sistema de segurança é ineficiente, paga mal aos policiais e convive com padrões operacionais inaceitáveis de letalidade e vitimização policial, com baixas taxas de esclarecimentos de delitos e precárias condições de encarceramento. Não conseguimos oferecer serviços de qualidade, reduzir a insegurança e aumentar a confiança da população nas instituições”.

Para o Sindicato dos Delegados do Piauí, o sistema de segurança pública do Piauí possui várias vulnerabilidades que possibilitam o aumento da criminalidade e que não adianta se pensar em melhoria de segurança pública sem se considerar a tomada de decisões estruturais conjuntas entre vários setores. A delegada Andrea Magalhães, presidente do Sindicato, diz que há que se elaborar um plano de segurança estratégico que permita, para a sua construção, o debate por todos os campos da sociedade.

“Deve haver uma ação conjunta entre governos, sociedade civil organizada, Ordem dos Advogados do Brasil, sindicatos, dentre outros órgãos, sobre como tratar e trabalhar a criminalidade no Estado a fim de se minimizar seus números e seus efeitos. Nós, enquanto Sindicato, temos a obrigação de lutar contra os crimes, mas é um papel de outros órgãos também, que só vai ser reparado caso haja um planejamento direcionado feito com seriedade, para o qual os governos se comprometam em investir em mais equipamentos, em estrutura e efetivos para a polícia desempenhar melhor sua função”, afirma Andrea.

Sensação de insegurança

A delegada reforça as considerações do Anuário dizendo que há hoje em dia uma sensação de impunidade muito grande que acaba gerando uma descrença na população, de que os crimes sejam solucionados, reforçando a ideia de que há também um crise na imagem da Polícia do Piauí, jugando que este é um sentimento que se reflete por todo o país. “O que as pessoas têm que considerar é que a polícia sozinha não consegue fazer muita coisa se não tiver ajuda dos governos federal e estadual e de outras instâncias fazendo a sua parte, disponibilizando mais investimentos, por exemplo, para o combate ao crime”, alega.

“Os cidadãos estão cada vez mais carentes de segurança. Estão cobrando seu direito e não veem retorno. Para se ter uma ideia, já acontece de as pessoas decidirem não mais fazer boletins de ocorrência quando são vítimas de certos crimes, por acharem que não adianta e que não vão ter resolvido o seu problema”, ressalta, acrescentando que é necessário, sobretudo, uma mudança de cultura sobre como tratar a segurança em prol da sociedade no Piauí.

Dados: Nacionais X Regionais

Uma pesquisa mensal realizada pelo Sindicato dos Policiais Civis de Carreira do Piauí (Sinpolpi), distoando dos dados apresentados no anuário de segurança nacional, aponta um total de 429 assassinatos em 2011, contra 341 registrados no anuário. A pesquisa do Sinpolpi registra a média 1,17 pessoas mortas vítimas de homicídio doloso por dia no Piauí, considerando os 365 dias de 2011. Em 2012, foram 493 assassinatos registrados, contra 479 contabilizados no nacional.

Embora os números divulgados em âmbito nacional não batam com os regionais, já que o anuário apresenta números menores do que os mostrados na pesquisa do sindicato do Piauí, é fato que em ambos há aumento do número de homicídios. Para o Sinpolpi há uma subnotificação quanto aos dados nacionais, que pode ocorrer por falha na coleta de dados.

De acordo com o Sindicato, o levantamento realizado mês a mês é feito com base nas informações publicadas nos meios de comunicação do Estado, sobretudo nos jornais impressos e portais da internet e blogs espalhados por todos os cantos do Piauí e todos os números de mortos são checados no IML, tanto que as listas repassadas pelo Sinpolpi trazem os nomes completos, idades e outras informações a respeito dos óbitos.

Em relação a falta e a crise de segurança que assola não só o Piauí, mas todo o Brasil, o diretor jurídico do Sinpolpi, Constanino de Sousa, afirma que não há uma política efetiva de policiamento e que a consequência, enquanto este problema não for resolvido, vai ser o aumento da violência e da criminalidade pela falta de impunidade, como os números têm comprovado.

“Somente ações conjuntas entre as mais diversas instâncias da sociedade vão conseguir atender a toda a demanda referente à segurança no nosso Estado. Há uma crise que passa por desde a luta por melhores salários, falta de estrutura e efetivos até mesmo ao desentendimento entre as classes de policiais, a exemplo de delegados e PCs, que acabam por refletir até na prestação dos serviços e inibem ainda maiso poder de resolução dos crimes”, explica Constantino.

*Com informações de Lyza Freitas/Capital Teresina


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