Alguém viu? Nota de R$ 200 circula pouco no mercado; entenda os motivos

Por: Kléber Oliveira
Publicado em 07/06/2021 às 18h14
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(Foto: Banco Central)

Lançada há cerca de nove meses, a cédula de R$ 200 gerou um engajamento inicial da população, mas o uso propriamente dito parece ainda não ter se popularizado. Com circulação rara no comércio, a nota parece ter sido ofuscada pelas transações digitais possibilitadas por alternativas como o Pix e o aplicativo Caixa Tem.

Segundo o Banco Central (BC), até a última sexta-feira (04), cerca de 69 milhões circulavam em todo o País. Conforme o banco, a produção e distribuição das notas seguem o cronograma planejado e o ritmo de utilização da cédula vem evoluindo em linha com o esperado.

“E deverá seguir em emissão ao longo dos próximos exercícios. Qualquer nova denominação de cédula entra em circulação de forma gradual e de acordo com a necessidade”, informa o BC através de nota.

A instituição também explica que o fornecimento das notas às instituições financeiras e à população em geral é realizado na medida da necessidade por cédulas de elevada denominação existente em cada localidade.

HÁBITOS DA POPULAÇÃO

Apesar de o volume informado parecer representativo, o economista Alex Araújo aponta que o número ainda é pequeno quando comparado à circulação das demais notas. Ele indica que a mudança de hábitos da população também explica a rara visualização da cédula. “Houve uma mudança, acelerada pela pandemia, no uso do dinheiro em espécie. O Pix ajudou muito nesse movimento, que já vinha relativamente forte com o cartão de débito e crédito. A tendência é de redução do uso de cédulas“, pontua.

O alto valor também dificulta a circulação da própria nota. Isso porque as transações de maior valor ocorrem em menor escala, além de dificultar o troco. “Eu mesmo peguei três cédulas lá no início que ainda estão comigo. Não tive a oportunidade de passá-las para frente. Já são quase de estimação“, relata o economista.

AUXÍLIO EMERGENCIAL

Mesmo com planejamento bem anterior à pandemia, uma das justificativas do Governo para o lançamento da nota seria a facilitação do saque do auxílio emergencial, na época, em R$ 600.

Para Araújo, no entanto, o próprio aplicativo Caixa Tem, usado para o pagamento do benefício, contribuiu para essa mudança de hábitos. “Para fazer o saque, você tinha que ir até uma agência, pegar fila. Enquanto o próprio aplicativo permitia você fazer compras, pagar contas. Então, essa é uma mudança cultural. Além do Pix, o Banco Central estuda criar uma moeda digital. Cada vez mais tendemos a usar menos o dinheiro em espécie“, aponta o economista.

DIFICULDADE DE TROCO

O presidente do Sindicato do Comércio Varejista e Lojista de Fortaleza (Sindilojas), Cid Alves, aponta que, para o comércio, a baixa circulação da nota de R$ 200 acaba ajudando a não piorar problemas, como a dificuldade de troco e a falsificação. “Ainda bem que não circula tanto. Até para o troco ficaria mais difícil. Além disso, quanto mais alto o valor da cédula, mais os falsificadores procuram reproduzir“, conta.

Ele ainda aponta a hipótese de que a nota seria mais usada em transações entre as próprias instituições financeiras, a exemplo de cédulas de outros países utilizadas exclusivamente para esse fim.

A dificuldade para o troco é endossada pelo presidente da Associação Cearense de Supermercados (Acesu), Nidovando Pinheiro. Segundo ele, a nota de R$ 200 ainda é rara entre os estabelecimentos representados e a falta dela não tem trazido problemas.


*Com informações do Diário do Nordeste



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