Detenta do Piauí vence concurso de redação da Defensoria Pública da União

O concurso era exclusivo para alunos matriculados na Educação de Jovens e Adultos (EJA) do ensino regular, mas, neste ano, incluiu pessoas privadas de liberdade nas penitenciárias do país.

191
(Foto: Divulgação/Sejus)

“Me senti desafiada, porque achava que não conseguiria escrever uma redação com esse tema”, diz Fernanda Lima, reeducanda da Penitenciária Feminina de Teresina que venceu a terceira edição do concurso de redação promovido pela Defensoria Pública da União (DPU), que teve como tema “Menos grades e Mais Direitos”.

O concurso era exclusivo para alunos matriculados na Educação de Jovens e Adultos (EJA) do ensino regular, mas, neste ano, incluiu pessoas privadas de liberdade nas penitenciárias do país. Além de incentivar a leitura e escrita, o concurso é uma oportunidade de mostrar os conhecimentos adquiridos no campo educacional.

(Foto: Divulgação/Sejus)

“Quase não acreditei no resultado. Foi muito desafiador fazer uma redação com esse tema, porque, se eu estivesse lá fora, não saberia como escrever. E, aqui no presídio, eu tive a responsabilidade de escrever sobre o que eu e minhas colegas de cela passam e precisam”, relata Fernanda Lima.

O concurso teve 6.607 redações inscritas, das quais 5.044 foram de reeducandos do sistema prisional. O Piauí inscreveu 20 detentos – sendo 15 da Penitenciária Feminina de Teresina e 5 da Colônia Agrícola Penal Major César. Fernanda está presa há quatro meses e participa de projetos de ressocialização realizados na unidade.

(Foto: Divulgação/Sejus)

Os classificados em primeiro lugar no concurso de redação ganharão um tablet – o prêmio será entregue no dia em que deixarem a prisão – e as respectivas unidades prisionais receberão uma premiação no valor de R$ 10 mil, para serem aplicados em equipamentos e projetos que contribuam para a educação dos detentos.

Na Penitenciária Feminina, Fernanda Lima participa do programa Mulheres Mil – desenvolvido pelas secretarias de Estado da Educação e de Justiça e que visa à capacitação profissional de detentas – e está no preparatório para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). “Quero fazer Enfermagem”, conta.

A coordenadora de Ensino Prisional, Jussyara Valente, destaca que “vimos que concorrer a esse prêmio seria uma oportunidade de mostrar os conhecimentos adquiridos pelos reeducandos em sala de aula, além de ser uma forma de motivar e mostrar a importância da educação na humanização do sistema prisional”.

Na visão da secretária de Educação, Rejane Dias, o Piauí vive um processo de valorização das mulheres e que “o esforço do Governo do Estado é qualificar as reeducandas do sistema prisional, com cursos profissionalizantes, educação básica e dando suporte para que ingressem no ensino superior”.

O secretário de Justiça, Daniel Oliveira, observa que os investimentos em educação no sistema prisional têm proporcionado resultados relevantes. De acordo com a Secretaria de Justiça, pelo menos 36% de detentos estudam, hoje, nos presídios, e houve um crescimento de 292% no número de presos estudando, nos últimos três anos.

“Acreditamos que a educação é capaz de mudar a realidade dessas pessoas, afastando-as da criminalidade e colocando-as no caminho da cidadania. Portanto, nosso intuito é oferecer oportunidades de ensino, trabalho e assegurar direitos, para que elas possam, de fato, mudar de vida”, pontua o gestor.



Este espaço visa ampliar o debate sobre o assunto abordado na notícia, democrática e respeitosamente. Para utilizá-lo, você deve estar logado no Facebook. Não serão aceitos comentários anônimos nem que firam leis e princípios éticos e morais ou que promovam atividades ilícitas. Assim, comentários caluniosos, difamatórios, preconceituosos, ofensivos, agressivos etc. serão excluídos pelos moderadores do site.