Recentes pesquisas têm nos mostrado que o número de bons leitores vem caindo em muitos países, inclusive nos que são classificados como desenvolvidos. O problema vem desafiando especialistas a pesquisar e a propor novas formas de se ver e de se trabalhar a leitura na escola.
Mas, afinal, por que a leitura é importante? De que leitura estamos falando?
A escrita é um instrumento de interação entre as pessoas; e um dos mais importantes. Praticamente tudo que fazemos recebe um registro escrito, desde nosso nascimento. Documentos, manuais, contratos, pesquisas, enfim, toda nossa produção cultural e intelectual se encontra registrada, em grande parte, pela escrita. Dessa forma, a leitura é um meio imprescindível para a sobrevivência social.
Mas quero falar, aqui, de um tipo específico de leitura, a literária, que até há pouco tempo era considerada privilégio das elites intelectuais. No entanto, hoje sabemos comprovadamente que a leitura da literatura, dos bons livros que nos contam histórias ficcionais, ajuda-nos a compreender o mundo, as pessoas, as épocas, os lugares e, sobretudo, a língua. Portanto, não pode ficar restrita a um grupo social.
Ler literatura é entrar em contato com o outro, identificar-se com ele, sofrer, chorar, rir, condoer-se, indignar-se, por meio de um único instrumento concreto: as palavras escritas. Saber como os bons autores escolhem e arranjam as palavras para causar os efeitos pretendidos amplia grandemente as possibilidades que temos de nos comunicar. Além de aprendermos sobre a vida, aprendemos sobre as palavras.
Mas, por que na escola?
A função da escola é inserir as crianças no contexto que está além da família. É lá que aprendemos sobre as coisas do mundo, mediados por nossos professores. Ora, se hoje encaramos a leitura literária com a importância descrita acima, é fundamental que ela faça parte do conteúdo escolar. É preciso que as crianças sejam orientadas a descobrir o prazer da leitura, e para isso é necessário que haja muitos momentos destinados a ela, sempre acompanhados da ajuda do adulto para a construção do sentido.
A leitura literária precisa ganhar lugar privilegiado nas escolas. A criação de salas de leitura tem contribuído bastante para facilitar o acesso da criança aos livros. Mas os textos precisam, também, participar do cotidiano da aula, estar à mão dos alunos em diferentes situações: leitura compartilhada com todos, leitura individual, leitura para conhecer uma realidade ou um fato estudado… A seca do nordeste, que estudamos em Geografia, não fica muito mais real quando lemos Vidas Secas, de Graciliano Ramos, e sentimos as dificuldades enfrentadas pela família de Fabiano? Com certeza, tornamo-nos mais humanos quando nos solidarizamos com o sofrimento de seus personagens.
Maria Helena Braga
Supervisora Pedagógica de Programas
do IQE – Instituto Qualidade no Ensino

